segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

HISTÓRIA DO FUTEBOL EM MAUÁ-PARTE 2

Sede própria da Liga Mauaense de Futebol localizada na Avenida Capitão João 
Equipe profissional do Grêmio Mauaense de 2013
GRÊMIO MAUAENSE: MAUÁ NO FUTEBOL PROFISSIONAL
          O Grêmio Esportivo Mauaense iniciou as atividades em 15 de dezembro de 1981, após a final do campeonato da Liga Mauaense de Futebol, ocorrida no dia 3 de dezembro quando na ocasião o presidente da Federação Paulista de Futebol, Nabi Abi Chedid fez uma sugestão para que a cidade criasse uma equipe para disputar a 3ª Divisão do Futebol Paulista, com o apoio da FPF.
          O Grêmio Mauaense teve como a base de sua primeira equipe profissional atletas de vários times da várzea, principalmente da seleção amadora de Mauá. Sua primeira partida ocorreu em 31 de janeiro de 1982, com uma derrota por 3x0 para o Suzano FC, em Suzano. O Grêmio mandava seus jogos no extinto campo do Cerâmica, local onde hoje está localizada a Secretaria de Serviços Urbanos da Prefeitura.
          O ponto alto da consolidação do futebol em Mauá ocorre quando da inauguração do Estádio Municipal “Pedro Benedetti”, em 08 de dezembro de 1984. Na oportunidade, a praça esportiva recebeu um público superior a 15 mil pessoas que acompanharam a partida amistosa entre o Grêmio Mauaense e o São Paulo Futebol Clube.
          O placar foi 2x1 para o São Paulo, que jogou com nomes consagrados do futebol brasileiro, como o zagueiro Oscar e os atacantes Müller, Pita e Careca, sendo treinador o Cilinho. O primeiro gol do novo estádio foi marcado pelo centroavante Careca, do São Paulo. Pita fez o segundo do tricolor e Valtinho descontou para o Grêmio Mauaense. O polêmico árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia foi o juiz da partida. (4)
          Após a inauguração do estádio, o Grêmio conheceu seu primeiro título, o de campeão da 3º divisão de 1985, feito que garantiu o acesso da equipe para a segundona do paulista, torneio que disputou nos anos de 1986 e 1987. Outro título viria somente em 2003, com a taça do campeonato paulista da série B-1. Em 2013, o Grêmio Mauaense disputou a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, torneio equivalente à 4º divisão do estadual.

OS GRANDES CRAQUES
          O futebol de Mauá sempre apresentou bons times e muitos craques. A quantidade de jogadores de primeira linha que desfilaram pelos campos da cidade é muito grande, desde os tempos de Mauá Pilar. Dentre os grandes jogadores, citamos vários, como Raul D’Ambrósio, considerado o primeiro grande craque de Mauá, que jogou tanto na AE Mauá como no Industrial, nos anos 30 e 40. Rubens Campos, que jogou pelo Industrial, Jaú, do Independente FC, Gildo e Maurinho, do São João FC, Borracha, do Cerâmica, Bugrão do Juá, Miltão, Capitão, da Portuguesa, Ica, do Grêmio Mauaense, Pinheiro, João de Deus, Valtinho, Valdemar Grecco, Elio Bernardi, Pedro Benedetti, José Benetti e tantos outros.
          Desta galeria de craques, destacamos as lendárias figuras de José Benetti, Pedro Benedetti, Waldemar Grecco e Elio Bernardi. O primeiro, José Benetti, carinhosamente conhecido como Zeca, ainda garoto deu seus primeiros chutes nos campos de várzea e quadras de futebol de salão em Mauá. Atuou no Juá, Floresta, Cerâmica, Palmeirinhas, entre outros, mas foi no Independente FC que se projetou para outros clubes.
          Profissionalmente começou nos Irmãos Romano, de São Bernardo. Passou pelo Juventus, mas brilhou mesmo no Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, onde jogou por cinco anos se destacando como atacante e por ter marcado o 1º do gol da partida do milésimo gol de Pelé em 1969. Ali ficou conhecido como Benetti. Jogou ainda no América (RJ), XV de Piracicaba, Velo Clube de Rio Claro, São Bento, Amparo, Araçatuba e encerrou carreira no Paulista de Jundiaí. Benetti foi uma testemunha do milésimo gol de Pelé, em 1969, no Maracanã. Na vitória do Santos por 2 a 1, o único gol do Vasco foi de sua autoria.
          Elio Bernardi foi vereador, vice-prefeito, Prefeito de Mauá duas vezes e o primeiro Deputado Estadual de Mauá. E foi também um grande jogador, craque símbolo do Industrial nos anos 40 e 50, além de ter atuado profissionalmente no CA Ipiranga, de São Paulo. Também foi trabalhador na fábrica de louça Paulista.      Como profissional Elio Bernardi foi protagonista do campeonato Paulista de 1947, que teve o Palmeiras como campeão. Sua equipe, o Ipiranga, cumpriria tabela num jogo contra o São Paulo FC de Leônidas da Silva, no estádio do Pacaembu. O São Paulo seria campeão com uma vitória simples, mas o Ipiranga venceu por 3x2 com grande atuação de Bernardi, considerado o melhor jogador em campo e o Palmeiras sagrou-se campeão.
          Outro jogador-político foi Waldemar Grecco. Valdemar foi vereador durante a primeira legislatura da Câmara de Mauá (1955 a 1959), mas destacou-se no campo de jogo mais do que na política. Waldemar era considerado “um monstro” da zaga do Industrial, onde foi campeão. Também jogou e foi campeão pelo Ribeirão Pires FC e Independente FC. Como profissional, atuou pelo Nacional AC, clube pelo qual disputou o campeonato paulista de 1948.
          Por fim destacamos Pedro Benedetti, que começou a jogar no Industrial nos anos 50 passou. Depois atuou pelo Independente FC e terminou no EC Cerâmica, sua grande paixão. No EC Cerâmica, Benedetti foi fundador, presidente, jogador e incentivador. Pedrão, como era conhecido, ajudava no custeio das despesas, no que muitas vezes privava inclusive a família, sempre colocando o Cerâmica em primeiro lugar. Diz a lenda que quando o time fundiu-se ao Industrial em 1984, Pedrão morreu junto ao seu querido e inestimável EC Cerâmica. Justamente, o Estádio Municipal de Mauá leva seu nome, denominação oficializada pela Lei Municipal 2376, de 23 de outubro de 1991.

Bibliografia consultada

(1) Industrial de Mauá e os campeonatos de futebol do Grande ABC, ADEMIR MÉDICI-Bandeirantes Indústria Gráfica, 1997.
(2) De Pilar à Mauá, ADEMIR MÉDICI- Secretaria de Educação, Cultura e Esportes da prefeitura Municipal e Mauá, 1996.
(3) Corpos em Movimento: as práticas esportivas e de lazer em Mauá 1954-2004, WILLIAN PUNTSCHART- Imprensa Oficial, 2004.
(4) Almanaque do São Paulo Futebol Clube, ALEXANDRE DA COSTA - Editora Abril, 2005.

HISTÓRIA DO FUTEBOL EM MAUÁ-PARTE 1

Pilar Futebol Clube, o primeiro time de Mauá. O PIlar depois transformou-se na A.E. Mauá
FUTEBOL: DOS PRIMEIROS JOGOS NO PILAR, A BOLA CONTINUA ROLANDO EM MAUÁ
          A cidade de Mauá completa em 2013, 59 anos de emancipação político-administrativa. Mas antes, ainda quando Mauá era um distrito de Santo André chamado Pilar, a bola já rolava nos antigos campos do lugarejo. O Pilar tinha uma população pequena e dispersa pelo território coberto por intensa vegetação.
          O Pilar Futebol Clube foi o 1º time de futebol de Mauá, fundado em 1919. (3) O time jogava num campo localizado próximo a atual Praça 22 de novembro, que leva o nome em homenagem à data do plebiscito emancipatório ocorrido em 22/11/1953. (2)
          Em 1938, o Pilar FC mudou de nome e passou a chamar Associação Esportiva Mauá, ainda em atividade associativa. Em 1921 surge o grande A.A. Industrial e em 1945 surge outro grande clube, o Independente FC. Ambos protagonizaram partidas clássicas ainda presentes nos imaginários dos ex-atletas e torcida destas equipes. Antes, a grande rivalidade do período pré-emancipação era entre o Pilar FC e o Industrial. Outras agremiações foram surgindo com o desenvolvimento da cidade e o surgimento da Liga propiciou organização nas disputas e incentivou na formação de mais times.
          O Industrial foi tricampeão da Liga de Santo André nos anos de 1955, 1956 e 1957, ainda quando disputava os campeonatos daquela cidade. Depois foi campeão em Mauá em 1958, ano de fundação da Liga Mauaense de Futebol, da qual o Industrial foi um dos seus fundadores. (1)

SURGE A LIGA MAUAENSE DE FUTEBOL
          Em pesquisas levantadas recentemente, contatamos a existência de duas datas distintas para considerar sobre a fundação Liga Mauaense de Futebol. A data de 09 de maio de 1960 é citada nos documentos oficiais da Liga atual, nos sítios eletrônicos da Federação Paulista de Futebol e nas obras recentes sobre a história da cidade, como o livro “Corpos em Movimento: as práticas esportivas e de lazer em Mauá 1954-2004”, do professor Willian Puntschart. O mesmo ocorre na relação dos campeões do período 1958 a 2013. (3)
          Outra data é citada pelo historiador e jornalista Ademir Médici no livro “Industrial de Mauá e os campeonatos de futebol do Grande ABC”, de 1997, onde o surgimento da Liga Mauaense de Futebol é datado de 09 de fevereiro de 1958. O estudo cita o nome de Álido Negrini como o primeiro presidente da Liga e a realização do campeonato com inicio em setembro deste ano. O Industrial sagrou-se campeão. (2)
          Mas a incerteza das datas não esconde a importância do futebol para a formação da identidade histórica do povo com a cidade e a Liga Mauaense de Futebol continua exercendo sua função de catalizadora e organizadora desse processo. Hoje possui em seu quadro de filiados aproximadamente cento e noventa times, divididos em quatro divisões e está localizada na Avenida Capitão João, nº 332, no Bairro da Matriz, em sede própria.
          Em fase de pesquisa ainda em andamento, segue a relação dos campeões de Mauá desde 1958 até 2013. Encontramos em diversos anos mais de um campeão.

CAMPEÕES DE MAUÁ
2013-Scorpions FC
2012-EC IV Centenário
2011-Belenense FC
2010-EC IV Centenário
2009-EC Jardim Oratório
2008-Ampa FC
2007-EC Jardim Oratório
2006-Ampa FC
2005-EC Jardim Camila
2004-AA Vila Nova
2003-AE Flor do Morro e EC IV Centenário (3)
2002-Ampa FC
2001-Mocidade FC
2000-CA Itapeva
1999-SC Blumoon
1998-CA Águia
1997-SE Paulistinha
1996-AA Vila Nova
1995-CA Itapeva
1994-SC Blumoon
1993-SC Blumoon
1992-SC Blumoon
1991-São João FC
1990-Ouro Verde FC
1989-AA Industrial
1988-GE Jardim Anchieta
1987-Ouro Verde FC
1986-Não foi realizado
1985-São João FC
1984-São João FC, SC Blumoon e CE União (3)
1983-Barão de Mauá FC
1982-Não foi realizado
1981-CE União e São João FC (3)
1980-GE Jardim Anchieta
1979-Mocidade FC, EC Cerâmica e CE União (3)
1978-EC Santa Cruz
1977-Mocidade FC
1976-EC Cerâmica
1975-CA Vila Vitória (3) e CE União (3)
1974-Vila Assis Brasil Clube (3), EC Avenida (3) e Ordem e Progresso (1)
1973-Ordem e Progresso (1)
1972-Não foi realizado
1971-Vila Noêmia (1)
1970-Vila Assis Brasil Clube (3) e Ordem e Progresso (1)
1969-AA São Vicente (1) e Industrial (3)
1968-Independente (1)
1967-Ordem e Progresso (1)
1966-Ordem e Progresso (1)
*1965-Juá (1) O campeonato foi disputado com o nome de Taça Cidade de Mauá
1964-Independente FC (1)
1963-Não foi realizado
1962-AA Palmeiras (1)
1961-Juá SEC (3) e AA Industrial (2)
1960-Juá SEC (3) e AA Industriais (2)
1959-Independente FC (1)
1958-AA Industrial (2)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

CHIETA DOIDA: NA BOLA E NA RAÇA




Grêmio Esportivo Jardim Anchieta-Campeão mauaense de 1980


Campeonato mauaense de 1980. Pelé comemora o gol do título do G.E. Jardim Anchieta


          O futebol de várzea (ou amador) sempre foi uma forma de demonstração de força e união de uma comunidade. E não foi diferente com o Grêmio Esportivo Jardim Anchieta, clube fundado em 05 de abril de 1961 e que leva o nome do bairro de onde surgiu e representa desde então. A Sociedade Amigos de Bairro local surgiu em 10 de novembro do mesmo ano.
          Seus fundadores eram todos moradores do Jardim Anchieta, amantes do esporte e que resolveram montar um time para representar o bairro. Rufino Basílio Ferraz, o Pelé, foi jogador do GEJA e agora é o atual presidente da equipe e lembra-se de alguns deles: “tinha o Alfeu, o José Pirola, o Dorli, o Sebastião que tinha o apelido de coringa, o Vermelho. Eles eram muito unidos entre eles”, lembra Pelé. O jornalista e um dos líderes da Associação de moradores do bairro, Osvaldo Donadio, também esteve na fundação.
          Segundo o relato de Pelé, “essa rapaziada mais antiga como o Binho e o Buca sempre me falavam que a primeira reunião do time havia sido realizada na antiga Rua 7, atual Adão Ferreira Batista, na casa do Sr. Paulinho”. Decidiram sobre as cores do uniforme e o nome da equipe, que acabou vermelho, preto e branco em homenagem ao São Paulo FC, já que a maioria dos fundadores era são-paulina. O escudo também foi influenciado pelo time do Morumbi.
          O primeiro presidente do GE Jardim Anchieta foi o Alfeu, seguido pelo Dorli, pelo Sebastião Coringa, pelo Paraíba e por Wilson Carlos de Campos, o Xoxa. Os dois últimos foram vereadores em Mauá. Outros nomes também dirigiram a equipe.
          O apelido “chieta doida” vem desde o final da década de 1970, quando o então Presidente Wilson Carlos de Campos, o Xoxa, incentivava o Luis “pé fino”, fanático torcedor do time, a bater os pés na parede. Emocionado, Luis gritava “chieta doido, chieta doido”, aí pegou. Montou-se até a torcida organizada na época. Rufino Basílio reafirma que “era doido mesmo, porque quando a equipe fazia jogos fora do Jardim Anchieta, enchia-se de 3 a 4 caminhões lotados de torcedores para acompanhar o time”, relata.
          Além do futebol, o Anchieta oferece aulas gratuitas de balé e taekwondo, beneficiando mais de 30 meninas do bairro. Ambas as atividades são realizadas por professores que atuam de maneira voluntária, voltadas para o atendimento da comunidade. Outro destaque é a escola de samba do GEJA, conhecida por sua bateria de respeito.
          A escolinha de futebol é outro orgulho do GEJA, que tem por finalidade a preparação de atletas para servir ao time principal do Anchieta no futuro. “Muitas crianças passam pela escolinha do GEJA, que realiza peneiras para a escolha dos futuros atletas”, confirma Pelé.
          Outro motivo de orgulho do time é a conquista do espaço onde está localizado o campo. Inicialmente o GE Jardim Anchieta mandava seus jogos onde hoje é o campo do Atlético Mineiro, na Vila Assis, chamado de “Industrial”. Depois da construção do campo, o clube foi o segundo campo de Mauá que ganhou alambrado, o primeiro havia sido o campo do Beira-Rio, no Parque São Vicente.

GRÊMIO ESPORTIVO JARDIM ANCHIETA, O CHIETA DOIDA CAMPEÃO
          A grande e apaixonada torcida do Anchieta não comemora título desde 1988, mas a reconstrução do roteiro das conquistas do time merece o relato aqui contido. Campeão mauaense nos anos de 1966, 1970 e 1972, quando não havia na época a chamada lei do acesso e descenso, o esquadrão tricolor do Jardim Anchieta consolidou nesse período sua força como uma das mais importantes equipes amadoras de Mauá.
          A importância dos títulos de 1980 e 1988 ocorre em função do grande time montado pelo GE Jardim Anchieta, que atraia grandes multidões nos campos da várzea mauaense e também porque a partir daquele ano o campeonato amador de Mauá começou a contar com a 1º e 2º divisões.
          Em relação ao campeonato mauaense de 1980, que foi disputado por pontos corridos, o Anchieta chegou à decisão contra o Jardim Maringá precisando de um empate para ser campeão. A derrota daria o título para a equipe do Cerâmica.
          O placar final da partida foi 1x0 para o tricolor, no extinto campo do Cerâmica, gol do camisa 10 Pelé. O tento foi marcado aos 26 minutos do segundo tempo, num lance que teve inicio nos pés do atacante Pascoal, que desceu livre pela direita e cruzou alto. Pelé, de cabeça, mandou a bola no canto direito do goleiro. Neste campeonato o GE Jardim Anchieta só perdeu um jogo, que foi para o Colorado, do Parque das Américas.
          O time entrou em campo com Vladimir, Zuza, Mauricio, Boró e Binho. Bahia, Pelé e Dorival. Gildinho, Pascoal e Cadinho. Compunha ainda o elenco campeão de 1980 os jogadores Luisão, Crau, Jairo, Vandeco, Mingo, Buca e Mazinho. O time era comandado pelo técnico Sidney, que também estava na equipe campeã de 1988.
          O campeonato quase que não foi concluído porque havia uma disputa judicial entre o GE Jardim Anchieta e a equipe da Viação Barão de Mauá, que era acusada de ter em seu time jogadores profissionais, o que era proibido, pelo regulamento. Segundo Rufino Basílio, “o finado Roberto Silva, então presidente da Liga Mauaense de Futebol torcia pela Barão”, rememora. O advogado do GEJA foi o Dr. Waldemar Boyago. Depois foi só festa, com direito à chopada e tudo.
          O time campeão de 1988 tinha entre seus destaques, o Valtinho, autor do histórico gol do Grêmio Mauaense contra o São Paulo FC na inauguração do estádio municipal de Mauá Pedro Benedetti e o então ponta direita Chiquinho, hoje conhecido como Chiquinho do Zaíra, vereador de Mauá. O time tinha Gatuzo, Pico, Valtinho, Buca, Gildinho, Durico, Cadinho e Pelé. Crau, Muriel e Marcelinho.
          Na final, o GE Jardim Anchieta jogou contra a equipe do Blumoon no estádio Pedro Benedetti e venceu por 1x0, gol de Durico. O atual presidente Pelé, que também jogou a final, saiu no intervalo por motivo de contusão. A festa rolou em preto, vermelho e branco pela segunda e última vez.
          O GE Jardim Anchieta também tem dois quadros de veteranos, que disputam os campeonatos locais da categoria. Os jogos dos veteranos são realizados aos sábados.
          Vários atletas que passaram pelo time poderiam ter sido profissionais. “Podemos citar o exemplo do Pascoal, que se tivesse a oportunidade de ter sido profissional poderia ter ido até a seleção brasileira, ele desequilibrava, em campo fazia a diferença. Todos tinham suas qualidades, mas o Pascoal era diferente, tinha qualidade a mais”, exagera Pelé.
          Somam-se a gloriosa história do Anchieta os títulos de vice-campeão em 1973, 1975, 1979, 1994 e 2002, além de diversos troféus em festivais e competições de base e dos veteranos. Atualmente a equipe disputa a 1º divisão do campeonato mauaense de futebol. Endereço: Rua Alfredo de Souza, 140, Jardim Anchieta.

ESPORTE LUSO: A TRADIÇÃO VIVA DO FUTEBOL NA VILA VITÓRIA

Nome oficial: Esporte Luso Futebol Clube
Fundação: 15 de novembro de 1972
Endereço: Rua Carlos Tamagnini, 201 - Vila Vitória.
Presidente: Carlos Alberto Pires, que já foi também roupeiro, jogador e técnico. Atualmente atua na equipe máster. Como jogador, vestiu a camisa do Esporte Luso pela primeira vez em 1988, tendo jogado anteriormente pelo CA Vila Vitória. Sem modéstia, diz que gostava de jogar pra torcida, gostava de driblar, humilhar o adversário mesmo. Não era muito de fazer gols, gol prá ele não importava muito, seu negócio era o drible.
Cores: verde, vermelho e branco.

          A história do Esporte Luso Futebol Clube, time com sede localizada na Vila Vitória, em Mauá, tem sua origem ainda no antigo Monte Alegre FC, clube fundado na década de 50 e que utilizava um campo chamado “Terra Preta”, localizado na atual Avenida Portugal. O Monte Alegre encerrou suas atividades no final da década de 60 e o campo cedeu espaço para loteamentos residenciais.
          Fundado oficialmente em 15 de novembro de 1972 como Esporte Luso-Brasileiro, seu surgimento foi resultado da vontade de torcedores, moradores do bairro e ex-jogadores do Monte Alegre que se reuniram nas imediações da antiga Barroca, atual área onde se localiza o Colégio Barão de Mauá, para formar outro time que representasse a Vila Vitória.
          A primeira diretoria do Luso contava com Manuel da Conceição (Manézinho), Expedito Peixeiro, Sebastião, Severino, Bil e Valter Izidoro. A presidência ficou com o mais entusiasmado dos fundadores, fanático torcedor da Portuguesa de Desportos e português, o Senhor Henrique, que foi decisivo na escolha do nome para a nova agremiação: Esporte Luso-Brasileiro.
          Logo conquistaram o espaço para o campo em que estão até hoje, sendo a doação da área feita pelo Prefeito Dorival Resende. Até então, o Luso jogava no campo do atual Atlético Mineiro, na Vila Assis, chamado de Industrial, ao lado do Ginásio Municipal “Berenice Rumiko Endo”.
          No início, o Luso jogava apenas amistosos, era um time de amigos. Quando começou a disputar ascompetições da Liga, foi galgando espaços e subindo de divisão, saindo da 3º, passando pela 2°, intermediária e 1º Divisão. Neste período foi campeão da 3º divisão de Mauá.
Dentre os principais jogadores da história do Luso está o Rogério Chulé (atacante), o Sandro (meia) e o Mário Barroca (volante), que jogaram no melhor time já montado pelo time rubro-verde da Vila Vitória.
          O registro do Luso junto à LMF (Liga Mauaense de Futebol) ocorre em 17 de julho de 1989, período em que o clube conhece uma organização administrativa que concede à agremiação personalidade jurídica e também o nome definitivo do time, que a partir dessa data passa a ser chamado de Esporte Luso Futebol Clube.
          Em 06 de agosto de 1995 ocorre o afastamento do então presidente Manuel da Conceição, quando assume em seu lugar Wilson Carlos de Campos, o Xoxa, que conclui mandato em 1997. Xoxa também já havia sido presidente do GE Jardim Anchieta.
          Desde 2011 o Luso disputa a divisão intermediária da Liga Mauaense de Futebol. O atual presidente da equipe é Carlos Alberto Pires, o Carlinhos, que afirma a disposição de voltar para a elite do futebol de Mauá. “Estamos lutando pra voltar para a 1º divisão, mas isso não é o mais importante para a equipe. O mais importante é manter o clube em atividade”, avalia.
          Além do futebol, Carlinhos destaca a importância do clube como uma extensão do bairro, como um espaço de recreação para os moradores da Vila Vitória. “O Luso realiza diversas atividades no bairro, como por exemplo, a tradicional festa das crianças e o mais importante, que é a manutenção do espaço onde está localizado o campo e a sede social da agremiação”, destaca Carlos.
          O presidente também avalia que o Luso ajuda a conservar aquele espaço de recreação do bairro, sendo o campo do Luso um dos poucos espaços de lazer da vila Vitória. E fala também das pressões que recebem por conta da especulação imobiliária. “Se não fosse o Luso, o espaço seria utilizado para a construção de casas e prédios que acompanham o crescimento da cidade, e a Vila Vitória é um bairro muito valorizado e bom de morar”.
          Mesmo o bairro tendo o tradicional CA Vila Vitória, o Luso também criou profundas relações no bairro. Havia uma rivalidade sadia entre o Luso e o CA Vila Vitória, hoje desativado enquanto time de futebol. A equipe tem sua torcida, pequena, mas que acompanha o time. Entre torcedores e familiares dos jogadores e diretoria, a equipe reúne em média cerca de 70 pessoas nos jogos realizados seu campo.
          A diretoria atual do Esporte Luso Futebol Clube é composta de Carlos Alberto Pires, o Carlinhos, Presidente; Itamar Evangelista, Vice-Presidente; Cícero Inácio, Geraldo de Arruda e Joãozinho, Diretores. A equipe possui também um espaço de participação das mulheres, que organizam as festividades do Luso, lideradas pela Dona Vilma com o auxílio da Bete, Andréia e Luciene, fanáticas torcedoras do time.
CONQUISTAS
          As principais conquistas obtidas pelo Luso são o campeonato da 3º Divisão B de 2001, os vice-campeonatos da 3º Divisão A de 2006 e o vice-campeonato da 2º Divisão de 2008, quando perdeu a finalíssima pelo placar de 2x1 para o Belenense, em partida disputada no estádio Municipal de Mauá “Pedro Benedetti”. As competições fazem parte do calendário oficial da LMF. Em 2005 levantou o troféu no campeonato de veteranos.
          Em 2013, a experiente equipe de másters foi vice-campeã da 1º Copa Máster do Esporte Luso, quando perdeu a final, nos pênaltis, para o Frente Negra, de Ribeirão Pires. As partidas dessa competição ocorreram nos campos do Luso e do Beira-Rio, no Parque São Vicente, cujos participantes foram a S.E. Beira-Rio, o Jardim Rosina, o Frente Negra de Ribeirão Pires, o Estrela e o Amigos 50, do Parque das Américas, além do Esporte Luso. “Foi um ótimo torneio, disputado entre amigos, pra reativar o pessoal que estava um pouco afastado do futebol”, afirma Carlos. O torneio foi encerrado com uma grande festa, com almoço de confraternização entre os participantes. Uma grande festa do futebol amador.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

terça-feira, 27 de agosto de 2013

MOCIDADE F.C.: O TRICOLOR DO ZAÍRA QUE NASCEU PARA VENCER. SÓ PARA VENCER!

                         O Mocidade Futebol Clube do Jardim Zaíra, em Mauá é uma das mais tradicionais equipes do futebol amador da região do ABC. Seu nome é uma homenagem à escola de samba carioca Mocidade Independente de Padre Miguel dado pelos fundadores Ademir Geremias Silva e Otaviano da Cunha quando a equipe tricolor do Zaíra foi fundada, em 01 de abril de 1970.
                        Atualmente a equipe disputa o campeonato mauaense da 1º divisão, competição que o Mocidade FC já conquistou em 3 oportunidades (1977, 1979 e 2001). Em sua extensa galeria de títulos e troféus, também constam o título do campeonato da 2º divisão em 1989, a Copa Amizade de 1997 e os diversos títulos dos veteranos e do cinqüentão, com destaque para o campeonato invicto conquistado pelos veteranos em 2008. A galeria de troféus da equipe tem mais de 298 peças.
                        O primeiro jogo do Mocidade foi contra o Congregação Mariano e o placar de 2x0 para o cobra coral já era um indício de que nascia ali um time predestinado às vitórias. O Mocidade jogou com Geraldinho, Cláudio Neri, Ezequiel, Pedro Luiz e Silvão; Garrinchinha, Otávio e Lula; Bilão, Natal e Geremias. O primeiro gol coube ao centroavante Natal, de cabeça.
                        A primeira diretoria da equipe, com seus fundadores, foi composta com os seguintes nomes e cargos: Felício Garcia, Presidente; Otaviano da Cunha, Vice-Presidente; Silvão, Tesoureiro; Nino, Secretário; Ademir Geremias Silva, Diretor Esportivo; Manoel Alves, Presidente do Conselho; Pata, Vice-Presidente do Conselho e Lula, Albino, Jessé e Rocão, Conselheiros.
                        Outra curiosidade relacionada ao Mocidade FC é que a equipe quase tornou-se profissional e que poderia ter disputado a 2º Divisão de Profissionais do Campeonato Paulista de 1978. O então prefeito Dorival Resende da Silva havia prometido que colocaria o Mocidade na disputa, uma vez que, em 1977, a equipe vinha de conquistas tanto no principal como nos aspirantes, sendo o mais forte time de Mauá na época. Mas tal promessa não se concretizou.
                        Mesmo com a negativa sobre a profissionalização da equipe, o tricolor do Jardim Zaíra continuou revelando seus talentos, muitos dos quais atuaram no futebol profissional, entre os quais podemos destacar o ex-volante Valter, que jogou no Paulista de Jundiaí, o ex-lateral Dirceu, que jogou no extinto Saad, de São Caetano, o Cáca, que jogou em Portugal e está na Alemanha e o zagueiro Bamba, que jogou no Grêmio Mauaense e no Oeste de Itápolis. Outro grande destaque foi o Coutinho, que foi da diretoria do Mocidade e jogou pelo União Bandeirante (PR), pelo Fluminense de Feira de Santana (BA) e encerrou carreira no Saad (SP). Outro importante atleta foi Cândido, que deu seus primeiros chutes como juvenil do Mocidade e depois brilhou com as camisas do Atlético Mineiro e do América de São José do Rio Preto, respectivamente.
PASSADO DE GLÓRIAS-FUTURO VENCEDOR
                        A história de conquistas do Mocidade FC tem sua  raiz na comunidade do jardim Zaíra, em Mauá. A relação da agremiação com o bairro vem desde sua fundação e ainda hoje é muito forte, conforme relata o atual presidente Evandro Fiorentini, o Picolé: “Naquele tempo se jogava pela várzea mesmo, você defendia o time de seu bairro, da sua comunidade, jogava para representar a vila”, destaca. “Quem não se lembra da famosa Maria Coquinha, a antiga torcedora-símbolo do Mocidade e das partidas em que reuníamos mais de 800, 1000 torcedores por jogo”, rememora Fiorentini.
                        O próprio Evandro Fiorentini foi jogador do time, quando em 1992 começou a jogar no Mocidade e relembra com muita emoção do passado e da sua relação com o time, que era parte da família. Seu pai, Ademir Fiorentini, foi presidente e incentivador de Evandro. “Adolescente que era, fui conhecer a vida, deixei meu saudoso pai, mas logo voltei e na beira do campo, lá no Vila Assis, fui ao vestiário, de cabelo comprido e recebi a camisa 2, joguei de lateral, fiz 2 gols, abracei calorosamente meu pai. Na outra semana cortei o cabelo, virei funcionário público, me reaproximei do meu pai e até hoje aqui estamos”, relata Evandro Fiorentini.
                        A sede social do Mocidade Futebol Clube está localizada na Rua Sebastião Antônio da Silva nº 51, no Jardim Zaíra, onde a tradicional agremiação esportiva de futebol amador guarda suas relíquias, vivas na memória de seus simpatizantes, muitos deles ex-jogadores, como o Sr. Bilão, que conta com muita alegria como era o Zaíra do passado, na época do surgimento do Mocidade. “O jardim Zaíra tinha muito mato e ruas de terra, que dificultava o acesso das pessoas para o fundo do bairro. O ponto final do ônibus ficava onde hoje está a sede do Juá, no bar do Zé Pimenta”, relembrou Bilão, declarando seu amor pelo bairro.
                        A realidade do Mocidade FC é a mesma da maioria de nossos clubes amadores da região, ou seja, vivendo da abnegação de seus dirigentes e da relação com sua comunidade. Conforme relata o presidente Evandro Fiorentini, “a gente realiza um pequeno trabalho social, uma vez que as dificuldades são muito grandes, faltando-nos espaço físico e estrutura financeira, mas realizamos arrecadação de alimentos que são distribuídos na comunidade e estamos voltando a trabalhar as categorias de base, com o sub 11, sub 13 e sub 15, além dos juniores, ou seja, trabalhando com os mais jovens e oferecendo a eles uma perspectiva de vida saudável e honesta”, avalia.
                        E assim segue o Mocidade FC, com sua tradição de revelar jogadores, com sua trajetória vencedora e repleta de glórias e conquistas e com sua profunda relação na comunidade do jardim Zaíra, que mesmo passados 43 anos de seu surgimento, continua com a mesma energia que o consagrou como uma das maiores equipes de futebol amador que a cidade de Mauá produziu. A mesma energia que há exatos 43 anos levou Seu Geremias e Seu Otaviano a elaborar uma lista para arrecadar os recursos necessários para a compra de 2 jogos de camisas, nas cores vermelho, preto e branco, 2 bolas, 4 pares de chuteiras e 26 pares de meias. O final de tudo: a lista arrecadou 67 cruzeiros, o valor do material esportivo foi de 265 cruzeiros e 43 anos depois, o sempre grande e glorioso Mocidade FC continua sua história.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

UNIÃO MAUÁ: ONDE O FUTEBOL DO PASSADO ESTÁ PRESENTE PELO FUTURO


O União Mauá Futsal é uma verdadeira mistura de gerações do futebol. Durante a realização do lançamento de seu 1º Campeonato Geral, ocorrido nas dependências do Grêmio Esportivo Mauaense, o encontro de gerações ficou evidente, assim como a bela iniciativa de seus idealizadores.
Atualmente com 160 crianças, o União Mauá realiza este trabalho graças às parcerias com o Grêmio Esportivo Mauaense e a Prefeitura de Mauá através da Secretaria de Esportes da cidade. Mas sem dúvida, os principais responsáveis pela ação com as crianças são o Valtinho (Presidente), Jesus (Diretor), Maria (Tesoureira), Léia (Diretora de Eventos) e Tunon (Diretor de Marketing).
Em quadra, os trabalhos com as crianças são de responsabilidade dos professores Marcão, Raul, Dias, Paulo e Valtinho. O Valtinho é aquele mesmo que, em 08 de dezembro de 1984 marcou o 1º gol do Grêmio Mauaense na partida contra o São Paulo FC na inauguração do Estádio Municipal de Mauá “Pedro Benedetti”.
Para Valtinho, que é também presidente do Atlético Mineiro da Vila Assis, clube amador de Mauá, a cidade possui muitos talentos no esporte. “Quando parei de jogar futebol profissional, queria continuar no futebol na busca de talentos na cidade de Mauá, que é uma cidade que carece de pessoas que realizem este tipo de trabalho com a criançada”, avalia.
O mais importante é que a filosofia do União Mauá está na formação do homem e depois, no atleta. Para isso, desenvolvem a prática do trabalho com crianças no futebol como forma de também tirar as crianças da violência e das drogas.
O União Mauá surgiu em 05 de fevereiro de 2000, portanto há 13 anos trabalhando em prol de um futuro melhor para muitas crianças em nossa cidade exercendo com muito carinho esse trabalho de forma voluntária. Os treinos são realizados nas quadras do Grêmio Mauaense, no Parque São Vicente e do Ginásio Berenice Rumiko Endo, na Vila Assis Brasil, atendendo crianças de toda cidade.
NOVOS TALENTOS SE DESTACAM
Segundo Valtinho, o União é uma fábrica de talentos. “Em 2012 já saíram cinco meninos do Grêmio Mauaense, sendo que dois saíram pouco antes, o Murilo que estava no EC Santo André e que está indo para o Gênoa, da Itália, o Vitinho, que vai ser um dos nomes do futebol brasileiro e mundial nos próximos anos, que está no AD São Caetano e disputou a última Taça São Paulo de Futebol Junior.”
E continua: “Temos o Juan, de 11 anos, que está indo para a Suíça com apoio da Mercedes Benz do Brasil que está cuidando dos próximos passos deste talento promissor; temos outros dois que estão no São Paulo FC, o Murilo e o Danilo e temos também o Flavinho, que está conosco e que ficou um período no Corinthians. O Marcelo (Tchelo) do Itapark também é uma jóia a ser lapidada”, garante Valtinho.
O maior desafio para os voluntários do União Mauá é mostrar o caminho para os garotos, torcendo muito para que vençam na vida, seja como atletas ou em outra opção profissional, mas que vençam sobretudo como homens voltados para o bem.
Dessa maneira seguem os garotos, Valtinho e seus colaboradores no União Mauá, que se mirarem no exemplo de seu pupilo certamente terão garantido seus futuros, no campo, na quadra e também na vida.